Sua Escola está preparada para ser a Escola do futuro?

Tempo de leitura: 6 minutos

   Em primeiro lugar, qual é o conceito de “Escola do Futuro” ?

Com a popularização da Internet e o fácil acesso a informação, o conhecimento foi democratizado em níveis nunca vistos antes. Isso ofereceu oportunidade para todos serem protagonistas do próprio aprendizado e esse é um dos principais desejos do estudante dos dias de hoje.

A Escola tradicional não mudou muito desde 50 anos atrás, em que o alunos marchavam em filhas e eram tratados como todos iguais, onde  a escola seria uma fábrica de onde saem crianças sem se tornarem seres pensantes, apenas pessoas padrões que seguem a manada.

A crítica, por mais pesada que seja, tem seu fundo verídico. Foi durante o “Fordismo” que as escolas ganharam a aparência e operação que hoje é padrão: horários definidos para entrada, saída, uniforme padrão, uma figura autoritária (professor/chefe) e outras que servem para garantir a ordem do local (inspetor/seguranças).

O objetivo justamente esse, condicionar os alunos de classe baixa dentro do modo da fábrica, que era para onde eles iriam após terminar os estudos por falta de opção. No emprego, realizavam suas funções manualmente, que servia às necessidades da época.

Os anos passaram e o mercado mudou. As empresas precisam de mão de obra qualificada, capaz de pensar criticamente e se adaptar às transformações que acontecem cada vez mais rápido. No entanto, isso não alterou muito o modo como o ensino é transmitido dentro das salas de aula.

Por isso, cresce a linha de pensamento que propõe transformações nesse setor. Surge então o conceito de “escola do futuro”.

O Mercado de trabalho mudou:

Uma das principais críticas a forma de ensino atual é que ela não se reinventou com o tempo e a falta da adaptação às necessidades modernas faz com que as instituições entreguem para a sociedade jovens que, apesar do diploma, não tem as habilidades pedidas pelo mercado.

Personalização do Ensino

  A Escola do Futuro tem como objetivo principal proporcionar uma formação baseada nas escolhas e talentos individuais.

“Cada aluno é único, com interesses e talentos próprios e responde de forma única a estímulos de aprendizagem.”

O Educador Paulo Freire, defendia que o aprendizado acontece de verdade quando o aluno é levado a compreender o que ocorre ao seu redor, a fazer suas próprias conexões e a construir um conhecimento que faça sentido para a sua vida. “Freire falava em aproximar o objeto de estudo à realidade do aluno. Isso também é personalização”.

Um exemplo de rede de escolas que assumidamente se baseia nos ensinamentos de Paulo Freire para proporcionar um ensino voltado às necessidades de cada aluno é a High Tech High. Localizadas na Califórnia, essas 11 escolas, que são públicas de administração privada, apostam em quatro pilares pedagógicos: personalização, conexão com o mundo real, interesse comum em aprender e professor como designer do aprendizado. Lá, cada aluno tem a mentoria de um adulto para descobrir seus interesses, talentos e assim buscar autonomamente um aprendizado adequado às suas necessidades. Todos os dias os estudantes definem um cronograma de atividades, com o qual se comprometem, e determinam onde querem chegar. Entre as possibilidades de aprendizagem que têm ao longo do dia estão projetos em grupo, momentos de reflexão individual, com e sem tecnologia, e aulas tradicionais (Ensino Híbrido).

Ensino híbrido não é qualquer sala de aula que tenha tecnologia. As escolas estão usando o ensino on-line para possibilitar novas formas de tempo e espaço. Esses modelos permitem que os alunos se movam de forma mais flexível através do aprendizado, e que os professores tenham mais tempo para instruir grupos pequenos, mais direcionados”

Nos próximos artigos falaremos mais sobre estas metodologias.

Olhar para a Tecnologia

A Tecnologia acaba sendo uma coadjuvante neste novo modelo pois fornece a base de conhecimento para a autonomia do aluno. Ela não deve ser a protagonista do ensino, mas uma ferramenta que conecta alunos digitais às necessidades atuais de aprendizado.

Para isso, é necessário enfrentar alguns entraves, como infraestrutura, conectividade e formação docente. Os professores, em sua maioria, somente tiveram contato com as ferramentas on-line na idade adulta, então é comum que sintam alguma dificuldade no meio digital.

Gestão Escolar na Nuvem

A transformação digital deve acontecer de cima pra baixo. Em todos as áreas da escola, assim como nos seus espaços.

Com o Cloud Computing, as instituições estarão aptas a armazenar quaisquer tipos de dados, como trabalhos, provas, histórico de alunos, documentação de matrícula, etc., de forma otimizada e inteligente.

A computação em nuvem combinada ao Big Data fornece uma solução escalável e adaptável a um alto volume de dados e análise de negócios. Juntos, eles ainda permitem redução de custos com TI, licenças/manutenção de softwares e backup de dados, acessibilidade de qualquer lugar, mais segurança do que a maioria das redes corporativas, entre outras vantagens.

A instituição como um todo se beneficia com essa dupla, inclusive os professores, que podem passar a receber dados quantitativos e qualitativos de uma atividade realizada pelos seus alunos, por exemplo. Dessa forma, esses profissionais não só obtêm a média das notas, mas conseguem identificar as questões e assuntos de maior dificuldade e, assim, reformular o seu plano de ensino.

Espaço inovador e Colaborativo

Como seria esta nova sala de aula e ambiente escolar?

Para começar, os alunos não ficariam sentados em fileiras, enxergando somente as costas do colega e o quadro negro ao fundo como temos agora, a proposta é que os alunos fiquem organizados em rodas ou grupos facilitando os debates e discussões da matéria e possibilitando que todos se vejam.

O aluno precisa de espaço para experimentar, expor suas ideias e trabalhar com as habilidades que serão necessárias no seu futuro.

Os professores devem continuar ensinando, mas as escolas precisam ter espaços mais abertos e democráticos que deem segurança para que o aluno compartilhe suas opiniões e contribua de forma nutritiva com o processo de aprendizagem pelo qual está passando.

As mesas e cadeiras devem interagir com todo o espaço, facilitando a montagem de grupos e um layout onde é possível compartilhar. A linguagem da sala deve falar com a linguagem do seu universo no mundo em que vive e sua faixa etária.

Por fim, possuir uma estrutura tecnológica conforme falado acima. Mas mesmo que isso possa parecer assustador, por conta do investimento, o importante é começar. O processo de transformação digital de uma escola nunca acaba, mas quanto mais tarde começar ficará bem mais difícil chegar ao lugar pretendido.

 

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